Um
trampo brutal, extremo e de alta qualidade! Se eu for começar
a resenha pelo resumo, seriam essas palavras que descreve
o poderio do primeiro lançamento da Malignant Art
Distribuição. Ophiolatry e Abhorrence executam
um som extremo e brutal, como já é de conhecimento
de quem acompanha o metal extremo nacional.
O trampo gráfico
ficou excelente, na frente vem a capa da banda paulista Ophiolatry,
onde Jesus Cristo é totalmente dominado pela serpente
em meio a chamas, tudo em tons de cinza. A capa da banda
Abhorrence é um símbolo muito interessante
que envolve espadas, caveiras, serpentes e uma cruz invertida
ao fundo desse símbolo, seguido do logo da banda no
alto, um desenho muito bem feito pelo conhecido desenhista
Joe Petagno, que já criou capas para bandas como Motörhead,
Marduk e etc. Junto com esse material vem um poster do split
com as fotos dos integrantes das duas bandas e suas respectivas
capas desse CD, um trabalho de excelente qualidade. Dentro
do CD, além do encarte onde consta informações,
nome das músicas das duas bandas, letras
e foto apenas da banda Abhorrence vem também um
folheto de divulgação das camisetas que as
bandas vendem. O trampo gráfico está muito
bom mesmo, bastante informativo e de extrema qualidade, raramente
se vê um lançamento tão profissional.
O CD começa com a banda Ophiolatry e a primeira música é a
Havoc, que é extremamente rápida e brutal, porém
logo se nota o som estranho da bateria, que ficou muito artificial
nesse método de gravação escolhido pela banda.
O som da bateria soa como uma bateria eletrônica, e o pior é que
está muito na cara isso, existem bandas que usam desse artifício
porém conseguem disfarçar bem, mas nesse caso a Ophiolatry
não foi feliz. Infelismente esse é o ponto péssimo
da gravação, pois o resto está excelente!
As linhas de guitarra são muito criativas e rápidas,
o som soa muito bem, o timbre é ótimo demonstrando
muito peso e velocidade, em meios a harmônicos rápidos
o que deixa a música muito brutal. O vocal é extremamente
gutural, as vezes se juntam a backings gritados com efeitos. Em
seguida vem um cover do Napalm Death na versão da Ophiolatry,
a música Scum ficou estupidamente rápida e brutal,
mas infelismente a bateria, que não deixa de ser rápida,
ficou muito estranha. A terceira música é a
Impaling the Christian Race que já tem uma gravação
diferenciada quanto as músicas anteriores. Essa música
foi gravada em 2001 no estúdio Da Tribo. A bateria ficou
mais "real" porém um pouco baixa, mas ainda auditível.
A música segue a linha da Ophiolatry: velocidade, quebraceira,
brutalidade e um vocal cavernoso por cima. A música é excelente,
os riffs são muito bons e o solo não é daqueles
enjoativos e sim muito bem encaixados na música. Os destaques
dessa banda são realmente a velocidade e a brutalidade, é impressionante
tamanha criatividade e entrosamento exercida pela Ophiolatry. A
próxima música foi gravada ao vivo no Tenis Clube
Tremembé em São Paulo no ano de 2001. A Opposite
Monarchy é originalmente do debut da banda Anti-Evangelistic
Process lançado em 2002. A gravação ao vivo
está excelente, se ouve tudo, mas claro sempre há um
probleminha com a mesa como no caso dos solos onde ficou extremamente
alto demais quando esses foram executados, mas nada que tire o
brilho dessa ótima demonstração de destruição
e blasfêmia ao vivo. Não se ouve muito do público,
somente antes e depois da música, mas o que se ouve da banda
já é o bastante para ter uma noção
do que deve ter dado de empolgação na frente do palco.
A próxima banda do split é a gaúcha Abhorrence
detonando um brutalíssimo Death Metal, com uma bateria devastadora
e riffs cortantes. A primeira música dessa excelente banda é a
Evoking the Abomination que tem uma pegada muito forte, bateria
com bumbos duplos constantes e um vocal gutural não muito
fechado, mas bem encaixado. Essa música é originalmente
do álbum "Evoken
the Abomination" de
2001 e mostra variações na bateria que a princípio
dava impressão de ser reta e com algumas viradas "a
lá Krisiun" porém há uma criatividade
maior aqui do que na banda citada. Os riffs são criativos,
rápidos e pesados, o timbre é um pouco "digital" demais,
porém não afeta muito na música, o som continua
extremo e agressivo. O vocal muito bem encaixado porém um
pouco abaixo do que seria ideal, mas nada que afete na música,
se ouve tudo normalmente. Depois de excelentes 4 minutos de brutalidade
com qualidade vem a segunda música da banda nesse split
que se chama Shatterer Merciless que "não deixa a peteca
cair", demonstra que a banda realmente é brutal e extremamente
veloz, não existem partes lentas, a bateria é muito
rápida e varia de acordo com riffs característicos do estilo.
Essa música
tem outra gravação, que foi feita por Tchelo Martins
em Março
de 2004, e não demonstra uma boa mixagem pois a bateria
está um pouco baixa, se for comparar com a música
anterior, e o vocal também. Mas esse tanto baixo na bateria é pouca
coisa, porém no vocal já dá uma diferença
legal, infelismente. Se ouve a música tranquilamente, não é nenhum
absurdo de mal mixado, são apenas detalhes pois a música é muito
criativa, mostrando partes variadas fazendo com que o som da Abhorrence
seja de ótima qualidade, não dando aquela sensação
de enjôo característico de algumas bandas monótonas desse
estilo. A próxima é a
Blackest Execration que tem a mesma gravação feita
por Tchelo em 2004. O estilo da banda não muda, o som começa
sempre em extrema velocidade com riffs velozes e bateria na velocidade
da luz. O vocal bem encaixado do também baixista Marcello
Marzari é muito
bom porém lembra bastante o Alex Kolesne do Krisiun. Os
solos sempre seguidos de uma guitarra base, porém a banda
só tem o Rangel Arroyo como guitarrista, então ao
vivo o som deve ser um pouco diferente por justamente não
ter uma guitarra base na hora dos solos. Mas no geral as músicas
do Abhorrence são de extrema qualidade, pra quem curte um
som brutal e bem tocado, com certeza essa é uma ótima
pedida. A última música do split e da Abhorrence
nesse CD foi gravada ao vivo no Arena em 2005. A música
Sacrificial Offerings segue a linha da banda e aqui se pode notar
a falta de uma guitarra base nos solos. Fica estranho quando se
acostuma a ouvir o som da banda com uma guitarra base nos solos,
e ao vivo sem ela. Bom, tirando esse detalhe o resto são
só elogios, a bateria de Fernando Arroyo não é brincadeira
não, na hora do vamos ver ele massacra qualquer tímpano
ali presente, o cara é extremamente veloz. Aqui a banda
mostra seu ótimo
entrosamento e a gravação está boa porém
a guitarra está um pouco baixa, mas ainda auditível,
e nos solos ela "toma fôlego" e aparece
bem. A Abhorrence encerra sua ótima participação
nesse excelente split lançado pela Malignant Art, que está de
parabéns pelo profissionalismo e pela qualidade. Com esse
excelente trabalho feito pela gravadora se pode esperar agora grandes
lançamentos em breve e sempre com muito respeito ao povo
underground do metal extremo nacional.
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